
Como fazer com que os resultados propostos pelo TPM atinjam a excelência?
Como as áreas produtivas podem atingir excelentes resultados sem que as “áreas indiretas” sejam também eficientes?
Até que ponto as melhorias operacionais não dependem da qualificação e conscientização das pessoas para se reverterem em resultados de alta performance, e que sejam autossustentáveis?
É adequado atingir excelentes níveis de eficiência operacional sem se preocupar com a segurança do trabalho, a saúde ocupacional e os impactos ambientais?
Como os problemas da qualidade intrínseca comprometem a produtividade, o cumprimento de prazos, os custos, a satisfação do cliente e a imagem da empresa?
É para responder a estas perguntas que foram criados os pilares de apoio ao TPM.
Quando o TPM foi criado no Japão no final da década de 90 tinha como objetivo maximizar a eficiência operacional. Ele consistia da fusão de técnicas já conhecidas no mundo ocidental, tais como a Manutenção Preventiva, baseada na confiabilidade (RCM), a Prevenção da Manutenção, baseada na redução do Custo do Ciclo de Vida do equipamento (LCC) e no
Sistema de Produção Puxada, baseado no Just-In-Time (JIT). O que aquela instituição acrescentou de novo neste sistema foram atividades de manutenção autônoma, resgatando os conceitos praticados antes da departamentalização da área de Manutenção.
Na década de 80, o JIPM, Instituto Japonês para Manutenção de Planta, criador e detentor dos direitos do TPM, acrescentou ao TPM original outras atividades com o objetivo de fortalecer os resultados operacionais já obtidos com estas técnicas. Em busca de melhorar o indicador da Eficiência Global do Equipamento (OEE), acrescentou o pilar de Manutenção da Qualidade, que tem como fundamento a Garantia da Qualidade (no ocidente sistematizado pela ISO 9000).
Com o tema da segurança operacional e do trabalho cada vez mais em voga, o JIPM
acrescentou o Pilar de Segurança e Saúde (no ocidente sistematizado pela OHSAS 18000). A preocupação cada vez maior da sociedade com os impactos ambientais, fez com que o JIPM introduzisse o Pilar de Meio Ambiente (no ocidente sistematizado pela ISO 14000). A necessidade de ter profissionais cada vez mais qualificados e conscientes, inclusive para
suportar as demandas dos pilares do TPM, que o JIPM ampliou as atividades de Educação e Treinamento para todas as atividades da empresa, antes limitadas a suportar o Pilar de Manutenção Autônoma. Finalmente, para levar os fundamentos do TPM para as áreas indiretas da empresa, o JIPM criou o TPM Office.
Eu vou resumir para você os principais objetivos de cada pilar complementar do TPM:
Pilar de Manutenção da Qualidade – Esse pilar visa melhorar o Índice da Qualidade que é um dos 3 indicadores que fazem parte do OEE. O conteúdo deste pilar não visa atender a Norma ISO 9000, nem tampouco procuram confrontar com possíveis atividades já praticadas pelo Sistema da Qualidade da empresa.
Pilar Educação e Treinamento – Este pilar é tratado como básico pelas literaturas oriundas do JIPM. Estas atividades são de apoio aos pilares funcionais. Como a grande maioria das empresas já tem a sua estratégia interna de treinamento, o que eu vou acrescentar aqui são algumas recomendações para aquilo que é mais específico do TPM e que, provavelmente o plano de desenvolvimento da empresa não contemple.
Pilar de Segurança e Saúde – O conteúdo deste pilar não visa atender a Norma OHSAS 18000, nem tampouco confrontar com possíveis atividades já praticadas pelo Sistema de Saúde e Segurança da empresa, mas evitar lacunas entre o que já existe na empresa e aquilo que talvez seja “novo”, com a implantação do TPM.
Pilar de Meio Ambiente – Do mesmo modo, O conteúdo deste pilar não visa atender a Norma ISO 14000, com o também não pretende gerar atrito com possíveis atividades já praticadas pelo Sistema de Meio Ambiente da empresa, fortalecer ao que já vem sendo praticado a partir de uma visão mais ampla trazida com a implantação do TPM.
TPM Office – Este pilar visa aumentar a eficiência das áreas indiretas, principalmente das atividades que influenciam a Eficiência Global dos Equipamentos, o OEE, das áreas diretas da empresa. A ideia é transformar estas áreas em “Fábricas de Serviços” de alta performance.
A conclusão que eu faço é que há uma ignorância sobre o que realmente são estes pilares, da importância que eles têm para a maximização da produtividade das áreas diretas e que podem haver lacunas significativas entre aquilo que a empresa já tem nas áreas de Desenvolvimento de Pessoas, de Segurança e Saúde e de Meio Ambiente. Afora isto, a
indiferença que as áreas indiretas trata as ferramentas de solução de problemas que tradicionalmente são aplicadas nas áreas diretas.
Desta maneira, a minha recomendação é que, caso não haja “pulmão” de quem coordena o TPM para implementar estes pilares em paralelo com os pilares técnicos, procurem implementá-los quando os pilotos de cada pilar técnicos já estiverem com as ações consolidadas.
Caso a empresa não tenha tomado a decisão de implantar o TPM como um sistema de gestão, não vinculando as atividades de RH, Segurança, Saúde e Meio Ambiente com o TPM, reúna os representantes destas áreas e faça uma apresentação seguindo os seguintes passos:
Passo 1 – Apresente os problemas existentes nas áreas produtivas relacionados aos temas tratados pelas respectivas áreas;
Passo 2 – Apresente uma descrição sucinta do respectivo pilar mostrando que as atividades propostas pelo TPM visam solucionar estes problemas;
Passo 3 – Coloque-se a disposição de cada um para elaborar um plano que corrija os gaps, ou seja, que atue em pontos ainda não atacados pelas ações atuais destas áreas;
Passo 4 – Dê o apoio na fase de execução do plano. É normal no primeiro momento haver um desinteresse destes responsáveis por estas novas ações devido a falta de tempo e a própria acomodação em continuarem fazendo o que já estão acostumados. Por conta disto, seja persistente.
Divulgue os primeiros resultados para incentivar novas ações.
Artigo escrito por: Haroldo Ribeiro