
Empresas no mundo inteiro buscam maior competitividade de mercado tentando incessantemente melhorar a produtividade e a eficiência de seus processos. Nesta jornada, muito conhecimento é adquirido, muitas ferramentas da qualidade são testadas, treinamento massivo, investimentos em equipamentos e tecnologia são acumulados.
Fornecedores são constantemente desafiados a fornecer itens que possam facilitar a obtenção destes objetivos. Muitas empresas tratam estas iniciativas de forma estruturada em modelos de melhoria contínua.
Os resultados aparecem invariavelmente, porém nem sempre são sustentáveis. Sempre nos deparamos com a necessidade de “começar” uma nova melhoria. Variação de demanda, problemas de materiais e/ou de fornecedores, rotatividade de mão-de-obra, modificações de produto, entres outras causas, põe por terra os ganhos outrora alcançados.
A mentalidade enxuta tem uma resposta para este efeito, a falta de padronização.
Sem padronização, nenhuma melhoria obtida será sustentável.
Sob os conceitos da filosofia Lean, as melhorias devem ser planejadas e executadas tendo como norte, os cinco princípios da mentalidade enxuta:
1) Valor: o que realmente o cliente deseja e está disposto a pagar?
2) Fluxo de valor: quais processos são necessários para produzir e entregar o cliente deseja?
3) Fluxo Contínuo: como os processos irão garantir que o cliente seja atendido no item certo, na quantidade certa, na qualidade e prazos requeridos (just-in-time)?
4) Puxar: como não fazer mais do que o necessário, nem antes e nem mais rápido do que o necessário?
5) Perfeição: como melhorar continuamente e não perder as melhorias conquistadas?
Os adeptos da mentalidade enxuta respondem a todas estas questões de forma bem simples: eliminando os desperdícios.
O diferencial de sustentabilidade das melhorias baseados na filosofia Lean está na padronização, que é a base de seus pilares: JIT (just-in-time) e JIDOKA (qualidade na fonte).
Obter o JIT requer fluxo contínuo, atendimento ao tempo takt e sistema puxado. O pilar JIDOKA requer processos que evitem que erros sejam evitados no recebimento, na produção e na entrega, ou seja, conceito de “Zero Defeito”.
Estes pilares somente serão perenes quando houver a padronização. Devemos entender que a padronização difere de ter padrões de trabalho. A padronização é a aplicação dos padrões de trabalho, de forma homogênea, por todos os operadores envolvidos no processo.
Dessa forma, podemos fazer uma analogia: imaginemos uma receita de bolo (padrão de trabalho) sendo executada por 10 confeiteiros. Mesmo todos utilizando os ingredientes, utensílios e equipamentos de mesma origem e características, sem a padronização, os resultados não serão homogêneos.
A padronização é obtida com contínuo treinamento e habilitação na aplicação dos padrões, de forma homogênea entre as equipes e os turnos de trabalho. No exemplo, todos os confeiteiros, mesmo que experientes, seriam treinados, conceitualmente e na prática, para a obtenção do produto padronizado.
A base da padronização é a estabilidade básica, que consiste em:
• padrões de trabalho bem definidos
• ambiente e layout estruturado e organizado para a execução dos processos
• máquinas e equipamentos capazes e estáveis
• produtos e processos bem planejados para evitar desvios
• fornecedores estáveis e confiáveis para a obtenção da qualidade na fonte
• materiais e insumos disponíveis nos postos de trabalho (logística interna)
• pessoal competente na execução dos padrões.
Uma vez obtida a padronização, o desafio será mantê-la. Para tanto, será necessário treinamento contínuo (reciclagem) e monitoramento (auditorias) da aplicação dos padrões e da obtenção dos produtos padronizados. Sempre que houver desvios, deve-se ajustar os padrões de trabalho e iniciar o processo de padronização.
Artigo escrito por: João Batista