
O nível de insucesso na implantação do TPM é em torno de 90%, no mundo inteiro. Isto significa que os resultados reais ficam bem abaixo dos propostos por esta metodologia criada no Japão no final da década de 60. Outra constatação é a descontinuidade das atividades sistemática do TPM ao longo de sua implantação e manutenção. Quando falamos da Manutenção Autônoma, que é um dos pilares básicos do TPM, o nível de fracasso é o mesmo. Este artigo apresenta os sete principais erros na implantação da Manutenção Autônoma.
Desde 1987, quando conheci o TPM por meio do Professor Seiichi Nakajima tornei-me um praticante, estudioso e disseminador desta metodologia japonesa. Como engenheiro mecânico, especializado em manutenção mecânica, supervisor e Gerente de Manutenção da Central de Manutenção de Camaçari, CEMAN, tive a oportunidade de fazer parte de um grupo de 6 engenheiros para estudar profundamente o TPM, usando todas as literaturas do JIPM, disponíveis na época (1990 a 1995). Passamos a usar esta metodologia na COPENE (petroquímica que hoje pertence à Braskem), com grande êxito. Aquela empresa foi vencedora do Prêmio TPM em 1997. Em 1994 tive a oportunidade de conhecer o Professor Tokutaro Suzuki, e ampliar meus conhecimentos, com o TPM aplicado a processos contínuos. A partir de 1995 venho dando cursos e consultorias de 5S e TPM para várias empresas da América Latina. No caso da Manutenção Autônoma, particularmente, que tem sido o Pilar do TPM mais procurado pelas indústrias, verifico vários erros na sua interpretação, implantação e condução, que têm provocado frustrações em diversos profissionais e empresas com os pífios resultados obtidos, e consequentemente com a sua natural e gradativa extinção. Selecionei para você, os sete principais erros cometidos pelas empresas:
1º) Desconhecimento do TPM e do Pilar Manutenção Autônoma

As empresas não conhecem o que realmente é TPM e o que é Manutenção Autônoma. Acham que TPM é uma ferramenta da Manutenção, e que às vezes se limita ao Pilar de Manutenção Autônoma.
TPM – Total Productive Maintenance (Manutenção da Produtividade Total) visa à falha zero e quebra zero das máquinas, ao lado do defeito zero nos produtos e perda zero no processo, maximizando a performance operacional dos equipamentos. É a cristalização das engenharias de Confiabilidade, de Processo e de Produção, associado à manutenção autônoma conduzida pelos operadores.
As etapas a serem desenvolvidas na implementação do TPM dependem da situação e peculiaridade de cada empresa e área. Porém, são considerados “cinco pilares básicos” que obrigatoriamente suportam o programa. São eles:
Portanto, A Manutenção Autônoma é um dos pilares do TPM, e não o TPM em si.
2º) Desvio do foco do pilar: Confiabilidade X Redução da equipe de Manutenção

Infelizmente a iniciativa para a implantação da Manutenção Autônoma na maioria das empresas tem como objetivo equivocado reduzir os custos da manutenção, reduzindo-se o quadro da Manutenção. Porém, deve ficar claro que a Manutenção Autônoma é um dos pilares técnicos da d o TPM, tem como objetivo maximizar a eficiência global do equipamento, conscientizando e capacitando os operadores para cuidar adequadamente do seu equipamento por meio das seguintes ações:
A implantação da Manutenção Autônoma ocorre normalmente em sete etapas:
Etapa 1 – Limpeza Inicial (identificação e eliminação de anomalias).
Etapa 2 – Combate às fontes de Sujeira e Contaminação e locais de difícil acesso.
Etapa 3 – Definição de padrões e check-lists provisórios de limpeza, inspeção e lubrificação.
Etapa 4 – Inspeção Geral (capacitação de operadores para diagnosticar anomalias e fazer pequenos reparos).
Etapa 5 – Inspeção Autônoma (definição de padrões e check-lists definitivos de inspeção).
Etapa 6 – Sistematização da Manutenção Autônoma.
Etapa 7 – Autocontrole.
3º) Implantação da Manutenção Autônoma dissociada do 5S e da estrutura da Manutenção

Sempre que sou solicitado para implantar apoiar alguma empresa na implantação do TPM, e às vezes, apenas da Manutenção Autônoma, faço questão de verificar como está o nível de 5S e como está a estrutura atual da Manutenção. A minha recomendação é que você garanta um bom nível de 5S e da estrutura da Manutenção.
Evite implantar a Manutenção Autônoma com um baixo nível de 5S na empresa, principalmente na Produção e Manutenção. Evite implantar a Manutenção Autônoma com uma estrutura precária da Manutenção, como por exemplo:
4º) Escolha inadequada do Piloto
Nem sempre o critério de escolha no piloto existe ou é o mais adequado. Muitas vezes é escolhido o equipamento que mais quebra, independente do motivo, ou algum que sirva de “experiência”. Este critério nem sempre é o mais adequado. A minha recomendação é que você escolha como piloto da Manutenção Autônoma:
5º) Não internalização dos ganhos e práticas pela equipe de Produção

Dificilmente a Gerência e a Supervisão da Produção tratam a Manutenção Autônoma como uma verdadeira aliada. Normalmente tratam as etapas como “burocráticas”, esperando apenas que a Manutenção faça a parte dela, resgatando as condições básicas do equipamento, inclusive eliminando os vazamentos.
A minha recomendação é que você “venda” adequadamente a Manutenção Autônoma para a Produção. Seguem algumas dicas:
6º) Falta de critério, ou cumprimento dele, para avanço das etapas e para a replicação

A disseminação ou introdução de outros equipamentos normalmente é feita sob pressão da Gerência de Produção, e até mesmo da Diretoria, também sem nenhum critério técnico e/ou econômico. O que normalmente ocorre nas empresas é a pressa para que o operador use o check-list de inspeção preparado pela Manutenção, e faça alguns pequenos reparos, sem a devida qualificação ou sem a garantia de que todos os operadores foram devidamente qualificados. Seguem algumas orientações de como você deve tratar estes dois temas:
Para avanço nas etapas
Para a replicação
7º) Falta de comprometimento da Alta Gerência

O motivo principal da alta gerência não se comprometer com o TPM ou a Manutenção Autônoma é o desconhecimento sobre os seus ganhos, e sobre as ações necessárias para a implantação.
Portanto, “venda” adequadamente a Manutenção Autônoma para a alta gerência. Seguem algumas dicas:
Atenção: Não implante a Manutenção Autônoma sem o apoio explícito e responsável da alta gerência, e sem o atendimento aos pré-requisitos para a implantação: 5S e estrutura da Manutenção.
Espero que os temas abordados neste artigo possibilitem a implantação adequada, ou o aprimoramento, da Manutenção Autônoma nas empresas. Para mais informações, consulte nosso site, ele contém o maior portal e os maiores produtos impressos e digitais de TPM do mercado.
Artigo escrito por:
Haroldo Ribeiro é consultor especializado no Japão, e autor de mais de 30 livros sobre 5S e TPM, desde 1994.
E-mail: pdca@terra.com.br